Lira
XXII
Muito embora,
Marília, muito embora
Outra beleza,
que não seja a tua,
Com avermelha
roda, a seis puxada,
Faça tremer a
rua.
As paredes da
sala, aonde habita,
Adorne a seda,
e o tremó dourado;
Pendam largas
cortinas, penda o lustre
Do teto apainelado.
Tu não
habitarás palácios grande,
Nem andarás no
coches voadores;
Porém terás um
Vate, que te preze,
Que cante os
teus louvores.
O tempo não
respeita a formosura;
E da pálida
morte a mão tirana
Arrasa os
edifícios dos Augustos,
E arrasa a vil
choupana.
Que belezas,
Marília, floresceram,
De quem nem
sequer temos a memória!
Só podem
conservar um nome eterno
Os versos, ou a
história.
Se não houvesse
Tasso, nem Petrarca,
Por mais que
qualquer delas fosse linda,
Já não sabia o
mundo, se existiram
Nem Laura, nem
Clorinda.
É melhor, minha
Bela, ser lembrada
Por quantos hão
de vir sábios humanos,
Que ter urcos,
ter coches, e tesouros,
Que morrem com
os anos.
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Nessa lira, Gonzaga desvaloriza os
bens materiais que se acabam com o passar dos anos. A forma que ele se
expressa deixa transparecer o amor que sente por Marília e que essa é a única
coisa que importa. Gonzaga, que valoriza posses e status em outros momentos,
nesse poema ignora todos os bens e valoriza o conhecimento, mostrando que
trocaria tudo pra viver uma vida simples com Marília.
Encontramos
nessa lira várias características do arcadismo, como o bucolismo e pastoralismo
na utilização do pseudônimo. Podemos ver também o resgate de temas clássicos
como áurea mediocritas, que são coisas cotidianas, simples e pelo bom senso, e
o locus amoenus, que é um lugar tranquilo e agradável.
Gonzaga escreve
as liras pensando em sua amada Maria Doroteia. Nessa lira ele mostra simplicidade tentando
conquistar através de palavras e conhecimento, e que para ser feliz basta estar
com sua amada. Essa lira foi escrita antes de Gonzaga ser preso, assim como
todas as da primeira parte.
Glossário:
Adornar: Enfeitar.
Tremó: Aparador com espelho alto, ou espelho colocado entre duas
janelas.
Apainelado: Decorado de painéis, enfeitado ou cheio de
painéis.
Coches: Veículo de quatro rodas puxado por animais.
Vate: Profeta,
adivinho.
Tirana: Mulher má, cruel; mulher esquiva.
Vil: Canalha, infame, miserável.
Choupana: Casa pobre, coberta de palha ou sapê, nos países quentes;
cabana, caluje, choça, palhoça.
Petrarca: Corajoso,
audaz.
Urcos: Cavalo forte
e corpulento.
Amanda, adorei sua interpretação. Concordo com a sua visão do poema, principalmente quando você fala: "Nessa lira, Gonzaga desvaloriza os bens materiais, que se acabam com o passar dos anos.". Nesse ponto, senti como se você houvesse conseguido entrar na lira.
ResponderExcluirAdorei!
Maria Carolina D'avilla - nº 28
1º E
Manda, sua interpretação ficou ótima, bem observado quando você diz "trocaria tudo pra viver uma vida simples com Marília." lindo.
ResponderExcluirLuciane A. - 25
1E
Eu concordo com a sua análise. A lira nos remete a pensar sobre o amor puro e profundo que o Dirceu sente por Marília. O autor declara à Marília que, apesar de não ter riquezas e bens materiais caros à oferecer, tem um amor que supera todo o materialismo e nunca morrerá.
ResponderExcluirDaniella Úrsula - Nº06
1ºE
Concordo com você ,conseguiu captar cada detalhe da lira , ficou muito bom .
ResponderExcluirNatália C. Frazão
1ºE Nº30
Antonomásia
ResponderExcluir"minha bela" - Marília
Amanda Silva - nº 03
1ºE
Ótima análise! Você conseguiu ressaltar a real mensagem da lira (pelo menos na minha opinião.). "nesse poema ignora todos os bens e valoriza o conhecimento, mostrando que trocaria tudo para viver uma vida simples com Marília." Perfeito.
ResponderExcluirYan Mateus - N° 40
1ºE