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sábado, 31 de agosto de 2013

Lira II

Em vão do amado
filho que foge,
Vênus quer hoje
notícias ter.
Sagaz e astuto
ele se esconde
em parte aonde
ninguém o vê.
Dos sinais dados,
bem se conhece
que ele aborrece
a mãe que tem.
Se os seus defeitos
Ela publica,
razão lhe fica
de se ofender.
Foge o menino
e, disfarçado,
vive abrigado
numa cruel.
Com mil carícias
a ímpia o trata;
nem o desata
do peito seu.
Se a semelhança
sempre amor gera,
deve uma fera
outra acolher.
Ah! se o teu nome,
Marília, calo,
que de ti falo
bem podes crer.

Pois bem, está é a terceira parte, percebi que Tomás já não fala tanto sobre a formosura e quão tão doce és Marília, mas ainda sim fala sobre ela e sobre o amor, porém moderadamente. Tomás fala sobre o filho de Vênus que fugiu e no final do poema se refere a Marília.

Nesta lira está presente o uso da mitologia assim como a linguagem simples.
Está parte já não conta bem o que ocorre com Tomás, mas assim como as duas primeiras partes, ele fala muito sobre seu amor por Marília e como sente sua falta.

Glossário:
Sagaz: Que possui sagacidade; perspicaz, arguto: crítica sagaz.
Abrigado: Que se pôde abrigar; que se encontra em abrigo; que está protegido; que não contém ou ocasiona perigos.

Acolher: Receber alguém bem ou mal, hospedar, agasalhar: acolheu-me de braços abertos.

Luciane A. Santos - 25
1E

Parte 3 - Lira V

Eu não sou, minha Nise, pegureiro,
que viva de guardar alheio gado;
nem sou pastor grosseiro,
dos frios gelos e do sol queimado,
que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

A Cresso não igualo no tesouro;
mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d'ouro;
mas povos mando, e na testa altiva
verdeja a coroa do sagrado louro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

Maldito seja aquele, que só trata
de contar, escondido, a vil riqueza,
que, cego, se arrebata
em buscar nos avós a vã nobreza,
com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

As fortunas, que em torno de mim vejo,
por falsos bens, que enganam, não reputo;
mas antes mais desejo:
não para me voltar soberbo em bruto,
por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

Pela ninfa, que jaz vertida em louro,
o grande deus Apolo não delira?
Jove, mudado em touro
e já mudado em velha não suspira?
seguir aos deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

Pertendam Anibais honrar a História,
e cinjam com a mão, de sangue cheia,
os louros da vitória;
eu revolvo os teus dons na minha idéia:
só dons que vêm do céu são minha glória.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

Moralmente, Dirceu apresenta-se como digno de consideração social desde a primeira lira, pois, como vimos, possui “próprio casal”, é independente economicamente. Uma observação não menos importante. É o que ocorre com três liras de Marília de Dirceu, em que o tema é a superioridade do pastor, mantida em qualquer ocasião, seja nos momentos livres e felizes ou nos de agonia na masmorra. Vamos encontrar esta situação nas liras “Eu não sou, minha Nise, pegureiro” (nesta lira). “Eu, Marília, não sou algum vaqueiro” (lira 1, parte I) e “Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro” (lira 15, parte II). Como foi destacado na última análise. Encontram-se também, nesta poesia, alusão a figuras mitológicas.

Essa terceira parte foi escrita no exílio, em Moçambique. É importante frisar que todas as partes do livro foram publicadas quando o romance entre Gonzaga e Dorotéia já havia se encerrado. Ainda não se tem provas concretas da autenticidade dessa terceira parte.

Glossário:
Pegureiro; guardador de gado. Relativo a pastor.
Vil; que degrada o homem. Desprezível.
Reputo; Julgar, ter em conta, considerar.
Desdouro; Aquilo que é desonroso ou que mancha a reputação.
Cinjam/ Cinjo;  Aquilo que é desonroso ou que mancha a reputação. (figurado) Limitar, restringir.
Jove; equivalente ao deus Júpiter (mitologia romana).
Aníbais; [Aníbal] foi um general e estadista cartaginês considerado por muitos como um dos maiores táticos militares da história.

                                       Yan Mateus Da Silva Ribeiro - N° 40  1° E

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Parte3   Lira III

Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho, e a rica, terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.
Não verás derrubar os virgens matos;
Queimar as capoeiras ainda novas;
Servir de adubo à terra a fértil cinza;
Lançar os grãos nas covas.
Não verás enrolar negros pacotes
Das secas folhas do cheiroso fumo;
Nem espremer entre as dentadas rodas
Da doce cana o sumo.
Verás em cima da espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grande livros,
E decidir os pleitos.
Enquanto revolver os meus consultos.
Tu me farás gostosa companhia,
Lendo os fatos da sábia mestra história,
E os cantos da poesia.
Lerás em alta voz a imagem bela,
Eu vendo que lhe dás o justo apreço,
Gostoso tornarei a ler de novo
O cansado processo.
Se encontrares louvada uma beleza,
Marília, não lhe invejes a ventura,
Que tens quem leve à mais remota idade
A tua formosura.

Glossário
Cativos: escravos.
Caudalosos: abundantes em águas.
Minada: escavada.
Esmeril: resíduos de minerais pesados.
Hábil: que executa com agilidade e eficiência.
Granetes: pequenos grãos.
Bateia: gamela de madeira usada para a lavagem ou cascalho que contenha minerais preciosos.
Capoeiras: mato nascido nas áreas  em que se faz a derrubada  de matas virgens.
Pleito: expressão jurídica para designar litígio conflito.
Fastos: registros públicos de fatos ou obras memoráveis.


Nessa lira Gonzaga cita algumas atividades econômicas da região, onde predomina o elogio de uma vida tranquila e equilibrada ao lado de sua pastora ,indicada pela exploração  de verbos no futuro , ou seja o poeta imagina uma vida futura ao lado de sua amada .O poeta afirma que estaria feliz ao lado de seu grande amor e que a beleza de Marília é eterna em sua lira. 

Essa lira está ligada a paisagem física e humana do Brasil da época.


Uma característica do estilo presente no poema é o largo uso de adjetivos que ocorre quase sempre anteposto ao nome. Através disso percebemos uma leve inversão ou anástrofe (figura de sintaxe que consiste na inversão suave, para fins estilísticos), muito frequente na poesia árcade e clássica.

Não se tem registros concretos em relação a terceira parte do livro , mas podemos perceber que Dirceu se encontra distante de sua amada e que mesmo com a distância ainda imagina como seria se tivesse um futuro ao lado de Marília.


Daniella Úrsula de Macêdo Marques


Nº 06      1º E
Parte 3 – Lira IX
Chegou-se o dia mais triste
que o dia da morte feia;
caí do trono, Dircéia,
do trono dos braços teus,
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Ímpio Fado, que não pôde
os doces laços quebrar-me,
por vingança quer levar-me
distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, e vou sem ver-te,
que neste fatal instante
há de ser o teu semblante
mui funesto aos olhos meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
E crês, Dircéia, que devem
ver meus olhos penduradas
tristes lágrimas salgadas
correrem dos olhos teus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
De teus olhos engraçados,
que puderam, piedosos,
de tristes em venturosos
converter os dias meus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Desses teus olhos divinos,
que, terno e sossegados,
enchem de flores os prados
enchem de luzes os céus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Destes teus olhos, enfim,
que domam tigres valentes,
que nem rígidas serpentes
resistem aos tiros seus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Da maneira que seriam
em não ver-te criminosos,
enquanto foram ditosos,
agora seriam réus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, Dircéia bela,
rasgando os ares cinzentos;
virão nas asas dos ventos
buscar-te os suspiros meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Talvez, Dircéia adorada,
que os duros fados me neguem
a glória de que eles cheguem
aos ternos ouvidos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Mas se ditosos chegarem,
pois os solto a teu respeito,
dá-lhes abrigo no peito,
junta-os cos suspiros teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
E quando tornar a ver-te,
ajuntando rosto a rosto,
entre os que dermos de gosto,
restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
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O autor repete várias vezes durante a lira que não pode ficar sem Doroteia, sua vida não é a mesma sem sua amada. Ele está prestes a perdê-la por conta da morte que está próxima. Apesar de ter chegado a hora de sua partida, ele não consegue se desfazer do que lhe fez tão bem. Ao longo da lira o personagem descreve com exuberância a sua amada e a gloria como se fosse uma deusa.

Nessa lira eu encontrei apenas uma característica do arcadismo, o carpe diem, que se trata da passagem do tempo como algo que trás a velhice, a fragilidade e a morte.

Não há presságios de que a terceira parte tenha ocorrido. Porém ela representa um futuro inalcançável, pois eles já não se encontram unidos. Apesar de tudo Dirceu não desiste de seu amor e acredita que ficarão juntos.

Glossário:

Ímpio – Que falta aos deveres de piedade.
Fado – Aquilo que tem de acontecer, independentemente da vontade humana.
Semblante – Aparência; aspecto; fisionomia.

Réus – Que tem má índole.


Amanda Silva Santana - Nº 03
1º E

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Parte 3 - Lira VII

Tu, formosa Marília, já fizeste
Com teus olhos ditosas as campinas
Do turvo ribeirão em que nascestes;
Deixa, Marília, agora
As já lavradas setas:
Anda afoita a romper os grossos mares,
Anda encher de alegria estranhas terras;
Ah! por ti suspiram
Os meus saudosos lares.
Não corres como Safo sem ventura,
Em seguimento de um cruel ingrato,
Que não cede aos encantos da ternura;
Segues um fino amante,
Que a perder-te morria.
Quebra os grilhões do sangue, e vem, ó Bela;
Tu já foste no Sul a minha guia,
Ah! deves ser no Norte
Também a minha estrela.
Verás ao Deus Netuno sossegado,
Aplainar c’o tridente as crespas ondas;
Ficar como dormindo o mar salgado;
Verás, verás, d’alheta
Soprar o brando vento;
Mover-se o leme, desrizar-se o linho:
Seguirem os delfins o movimento,
Que leva na carreira
O empavesado pinho.
Verás como o Leão na proa arfando
Converte em branca espuma as negras ondas,
Que atalha, e corta com murmúrio brando;
Verás, verás, Marília,
Da janela dourada,
Que uma comprida estrada representa
A linfa cristalina, que pisada
Pela popa que foge,
Em borbotões rebenta.
Bruto peixe verás de corpo imenso
Tornar ao torto anzol, depois de o terem
Pela rasgada boca ao ar suspenso;
Os pequenos peixinhos
Quais pássaros voarem;
De toninhas verás o mar coalhado,
Ora surgirem, ora mergulharem,
Fingindo ao longe as ondas,
Que forma o vento irado.
Verás que o grande monstro se apresenta,
Um repuxo formando com as águas,
Que ao mar espalha da robusta venta;
Verás, enfim, Marília,
As nuvens levantadas,
Umas de cor azul, ou mais escuras,
Outras de cor-de-rosa, ou prateadas,
Fazerem no horizonte
Mil diversas figuras.
Mal chegares à foz do claro Tejo,
Apenas ele vir o teu semblante,
Dará no leme do baixel um beijo.
Eu lhe direi vaidoso:
"Não trago, não, comigo,
"Nem pedras de valor, nem montes d’ouro;
"Roubei as áureas minas, e consigo
"Trazer para os teus cofres
"Este maior Tesouro."



Esta lira não é nada além de um sonho. Aqui, apesar de não ser perceptível na própria lira, temos um Dirceu distante, triste. Por isso, agora, ele vive e escreve o que imagina. Aqui, é claro o modo como imagina uma vida amorosa perfeita com Marília. A lira se passa num navio, navegando em alto mar para Portugal. Os dois estão na proa, sentindo o vento, vendo golfinhos e pássaros. Estão bem, pois há um mundo perfeito ao redor de ambos: céu azul, nuvens coloridas, sol brilhante, clima agradável, água espirrando no rosto. Depois de chegarem, segundo o que Dirceu imagina, o homem que ver Marília irá se sentir extremamente encantado por sua beleza, e então, Dirceu poderá se vangloriar por ter o amor da mulher mais linda que já foi vista, de beleza mais valiosa que qualquer dinheiro ou joias. 

Nesta terceira parte, é comum encontrar liras que mostrem como Tomás Antônio Gonzaga imaginava que poderia ser sua vida ao lado de Maria Doroteia. Chega a ser confuso, pois, como o livro em alguns momentos parece não seguir uma ordem de acontecimentos, chega-se a pensar que aquilo realmente aconteceu. Porém, aqui, não há um uso do pretérito, como na maioria das liras da segunda parte do livro. Há o uso do tempo futuro, como se Tomás ainda acreditasse que tudo aquilo poderia acontecer de acordo com sua imaginação. Esse contexto abrange praticamente toda a terceira parte do livro.

As características do arcadismo voltam a ser fortes. Não há racionalismo - ao contrário disso, vemos um certo bucolismo e carpe diem vindos da imaginação de Tomás Antônio Gonzaga. Obviamente, há a idealização da mulher amada, assim como de todo um romance que poderiam viver juntos. Há também o locus amoenus (lugar agradável), que, nessa lira, seria o navio em viagem a Portugal. Como em todo o livro, há uso de pseudônimos, a objetividade e certo desdém ao dinheiro, principalmente ao fim da lira. E, como sempre, há a presença de seres mitológico e a tentativa de retomar os modelos clássicos Greco-latinos.

Glossário:

Safo - Livre; desencalhado; gasto, usado.
Grilhões - Corrente forte de metal; cordão grosso de ouro; [figurado] laço; prisão (mais usado no plural).
Netuno - Deus dos mares na mitologia romana. Representado por Poseidon na mitologia grega.
Alheta -  Ângulo que forma a popa do navio com o costado (quando a popa é de painel).
Desrizar - Desfazer tranças ou nós de cabelos ou de alguma coisa que esteja trançada.
Delfins - [Zoologia]  Gênero de mamífero cetáceo, tipo da família dos delfinídeos, que vive aos grupos em todos os mares. = GOLFINHO
Empavesado - Embandeirar (um navio). Defender (o navio) com paveses.
Linfa - [Linguagem poética]  Água.
Borbotões - Bolhas de água, golfada, jorro, lufada.
Baixel - Pequeno navio ou barco.


Maria Carolina D'avilla - nº 28
1º E

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Parte 2 - Lira IV
Já, já me vai, Marília, branquejando
Louro cabelo, que circula a testa;
Este mesmo, que alveja, vai caindo
E pouco já me resta.
As faces vão perdendo as vivas cores,
E vão-se sobre os ossos enrugando,
Vai fugindo a viveza dos meus olhos;
Tudo se vai mudando.
Se quero levantar-me, as costas vergam;
As forças dos meus membros já se gastam,
Vou a dar ela casa uns curtos passos,
Pesam-me os pés, e arrastam.
Se algum dia me vires destas sorte,
Vê que assim me não pôs a mão dos anos:
Os trabalhos, Marília, os sentimentos,
Fazem os mesmos danos.
Mal te vir, me dará em poucos dias
A minha mocidade o doce gosto;
Verás burnir-se a pele, o corpo encher-se,
Voltar a cor ao rosto.
No calmoso Verão as plantas secam;
Na Primavera, que os mortais encanta,
Apenas cai do Céu o fresco orvalho,
Verdeja logo a planta.
A doença deforma a quem padece;
Mas logo que a doença faz seu termo,
Torna, Marília, a ser quem era dantes,
O definhado enfermo.
Supõe-me qual doente, ou mal a planta,
No meio da desgraça, que me altera;
Eu também te suponho qual saúde,
Ou qual a Primavera. Se dão esses teus meigos, vivos olhos
Aos mesmos Astros luz, e vida às flores,
Que efeitos não farão, em quem por eles
Sempre morreu de amores?
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O poeta expressa nas palavras os efeitos de sua velhice, não só fisicamente como também emocionalmente. Durante a lira ele diz que tenta se levantar e se locomover, mas sua coluna torta e seus pés pesados o fazem arrastar-se para sair do lugar. Mas ao lembrar ou ver Marília ele se sente jovem novamente, capaz de qualquer coisa. Com Marília tudo fica com mais vida e cor.

A situação histórica dessa lira não é diferente das demais dessa segunda parte. Gonzaga se encontra preso na Ilha das Cobras em Moçambique, em um momento de fragilidade onde admiti que está ficando velho, e principalmente que sente muito a falta de sua amada Doroteia.

Podemos observar que na segunda parte o bucolismo vai desaparecendo. E nessa lira Tomás usa bastante o carpe diem, a passagem do tempo como algo que traz a velhice, a fragilidade e a morte.

Glossário:
Branquejando – Mostrar-se branco; apresentar a cor branca.
Alveja – Acertar no alvo; Tornar branco.
Burnir – tornar brilhante; polir; lustrar.
Padece – Ser vítima de violências físicas; sentir dores físicas ou morais; estar doente.

Definhado – tornar-se sem vida, sem cor, sem ânimo; perder o vigor, a saúde.

Amanda Silva Santana - Nº 03
1ºE

Parte 2 – Lira 1
Já não cinjo de louro a minha testa;
Nem sonoras canções o Deus me inspira:
Ah! que nem me resta
Uma já quebrada,
Mal sonora Lira!

Mas neste mesmo estado, em que me vejo,
Pede, Marília, Amor que vá cantar-te:
Cumpro o seu desejo;
E ao que resta supra
A paixão, e a arte.

A fumaça, Marília, da candeia,
Que a molhada parede ou suja, ou pinta,
Bem que tosca, e feia,
Agora me pode
Ministrar a tinta.

Aos mais preparos o discurso apronta:
Ele me diz, que faça do pé de uma
Má laranja ponta,
E dele me sirva
Em lugar de pluma.

Perder as úteis horas não, não devo;
Verás, Marília, uma idéia nova:
Sim, eu já te escrevo,
Do que esta alma dita
Quando amor aprova.

Quem vive no regaço da ventura
Nada obra em te adorar, que assombro faça:
Mostra mais ternura
Quem te ensina, e morre
Nas mãos da desgraça.

Nesta cruel masmorra tenebrosa
Ainda vendo estou teus olhos belos,
A testa formosa,
Os dentes nevados,
Os negros cabelos.

Vejo, Marília, sim, e vejo ainda
A chusma dos Cupidos, que pendentes
Dessa boca linda,
Nos ares espalham
Suspiros ardentes.

Se alguém me perguntar onde eu te vejo,
Responderei: No peito, que uns Amores
De casto desejo
Aqui te pintaram,
E são bons Pintores.

Mal meus olhos te riam, ah! nessa hora
Teu retrato fizeram, e tão forte,
Que entendo, que agora
Só pode apagá-lo
O pulso da Morte.

Isto escrevia, quando, ó Céus, que vejo!
Descubro a ler-me os versos o Deus louro:
Ah! dá-lhes um beijo,
E diz-me que valem
Mais que letras de ouro.


Glossário:

Cinjo: Fazer parte de algo; permanecer em seu interior.

Supra: Que se encontra em uma posição superior.

Candeia: Lâmpada formada de um recipiente de barro ou de folha.

Ministrar: Fornecer, administrar.


 Nessa lira podemos perceber a angústia, a tristeza e a grande solidão do poeta. Gonzaga diz não ser mais o mesmo, e que se encontra em um momento perdido e sem inspiração. Mesmo estando em uma masmorra tenebrosa, onde não tem o controle sobre nada, o poeta diz continuar a escrever sobre sua amada. Na lira ele fala que já não consegue controlar a saudade que sente e que mesmo assim a imagem de Marília continua forte em sua mente e que nada além da morte poderia tirá-la.


Essa lira foi escrita enquanto Gonzaga estava preso na ilha das Cobras em Moçambique, é nítida a solidão e a saudade de Marília. Há o emprego do verbo no passado: o poeta vive de lembranças e recordações passadas.

O poeta vai deixando de lado o bucolismo. A solidão, injustiça, saudade e a presença constante da morte, rompem com o que era considerado clássico. A declaração e adoração por Marília continuam nesta parte influenciada por características pré-românticas.

A tristeza e a chateação são uma das principais características pré-românticas, já que Gonzaga sofre por estar longe de sua amada e não pode se relacionar com ela por estar preso.


Daniella Úrsula de Macêdo Marques

Nº 06        1º E

Parte 2 - Lira XV

Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro,
Fui honrado Pastor da tua aldeia;
Vestia finas lãs, e tinha sempre

A minha choça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal, e o manso gado,
Nem tenho, a que me encoste, um só cajado.

Para ter que te dar, é que eu queria
De mor rebanho ainda ser o dono;
Prezava o teu semblante, os teus cabelos
Ainda muito mais que um grande Trono.
Agora que te oferte já não vejo
Além de um puro amor, de um são desejo.

Se o rio levantado me causava,
Levando a sementeira, prejuízo,
Eu alegre ficava apenas via
Na tua breve boca um ar de riso.
Tudo agora perdi; nem tenho o gosto
De ver-te aos menos compassivo o rosto.

Propunha-me dormir no teu regaço
As quentes horas da comprida sesta,
Escrever teus louvores nos olmeiros,
Toucar-te de papoulas na floresta.
Julgou o justo Céu, que não convinha
Que a tanto grau subisse a glória minha.

Ah! minha Bela, se a Fortuna volta,
Se o bem, que já perdi, alcanço, e provo;
Por essas brancas mãos, por essas faces
Te juro renascer um homem novo;
Romper a nuvem, que os meus olhos cerra,
Amar no Céu a Jove, e a ti na terra.

Fiadas comprarei as ovelhinhas,
Que pagarei dos poucos do meu ganho;
E dentro em pouco tempo nos veremos
Senhores outra vez de um bom rebanho.
Para o contágio lhe não dar, sobeja
Que as afague Marília, ou só que as veja.

Senão tivermos lãs, e peles finas,
Podem mui bem cobrir as carnes nossas
As peles dos cordeiros mal curtidas,
E os panos feitos com as lãs mais grossas.
Mas ao menos será o teu vestido
Por mãos de amor, por minhas mão cosido.

Nós iremos pescar na quente sesta
Com canas, e com cestos os peixinhos:
Nós iremos caçar nas manhãs frias
Com a vara envisgada os passarinhos.
Para nos divertir faremos quanto
Reputa o varão sábio, honesto e santo.

Nas noites de serão nos sentaremos
C'os filhos, se os tivermos, à fogueira;
Entre as falsas histórias, que contares,
Lhes contarás a minha verdadeira.
Pasmados te ouvirão; eu entretanto
Ainda o rosto banharei de pranto.

Quando passarmos juntos pela rua,
Nos mostrarão c'o dedo os mais Pastores;
Dizendo uns para os outros: "Olha os nosso
"Exemplos da desgraça, e são amores".
Contentes viveremos desta sorte,
Até que chegue a um dos dois a morte. 


Na lira XV observamos uma característica constante dessa segunda parte de Marília de Dirceu: o contraste do passado feliz e a tristeza do presente. A primeira estrofe da lira, o poeta deixa muito claro a sua situação atual. Dirceu não possui mais propriedades, na verdade não possui nenhum bem em que ele possa se apoiar, ele próprio descreve “Não tenho, a que me encoste um só cajado.”. Noutra ele revela que prezava muito mais Marília do que suas fortunas e a única coisa que ele tem a oferecê-la (agora) é o seu puro amor (mesmo lamentando muito por isso), isso causa uma preocupação por parte de Dirceu, pois se antes as diferenças financeiras entre as famílias de Dirceu e Marília falavam mais alto e faziam desse amor proibido agora então seria quase impossível. Percebe-se no resto do poema um planejamento de uma vida feliz, no campo e com possíveis filhos ao lado de Marília. Mesmo na cadeia, Dirceu ainda acreditava numa possível absolvição, num recomeço da sua vida, de preferência junto á amada. A única coisa que ficou para Dirceu foi as lembranças de sua “estrela”. Pior que perder todos os seus bens é perder o grande amor de sua vida.

As características do arcadismo nessa lira são bem diferentes da primeira parte, o autor esta expressando toda a sua dor e agonia de estar longe de sua amada. O bucolismo está presente na maior parte do poema, mesmo que toda a característica campestre seja fruto de sua imaginação. Na lira temos uma situação que se repete na primeira parte “Eu, Marília, não sou algum vaqueiro” (lira I, parte I) e “Eu, Marília, não fui algum vaqueiro” (lira XV, parte II).  O poeta apresenta verbos no pretérito (“Fui honrado pastor...”) isso indica sua distancia e a percepção da impossibilidade de realização de seus desejos. Interessante notar-se que, nestes versos, alguns elementos do estilo de Gonzaga aparecem bem definidos: a imitação de modelos; a reflexão de Dirceu sobre si mesmo, reforçando a ideia de que Gonzaga não quer ser tomado, por “qualquer vaqueiro”.

Na segunda parte, por refletir os sentimentos causados pela prisão, deixa claro sua amargura e desilusão. Os poemas exprimem a solidão de Dirceu, a saudade de Marília. O entusiasmo e felicidade não aparecem, a imaginação e a principal “ferramenta” usada para escrever os poemas.

Glossário:

Choça – Cabana de ramos de árvores ou colmo, própria das florestas tropicais.
Cajado – Bastão com a parte superior arqueada, para uso dos pastores.
Compassivo – Que possui ou demonstra compaixão; que compartilha dos sofrimentos alheios: indivíduo compassivo.
Regaço – Parte do corpo que vai da cintura aos joelhos, na posição sentada.
Concavidade formada pela saia ou avental que se suspende para nela colocar alguma coisa.
Colo, seio.
Sesta – Repouso que se costuma fazer, depois do almoço, nos países quentes: fazer a sesta.
Jove – Júpiter é o deus romano do dia, comumente identificado com o deus grego Zeus.
 Sobeja – remanesce; remanesces; remanesça; resta; restas; reste; sobra; sobras; sobre.
Reputa – acha; achas; ache; aprecia; aprecias; aprecie; considera; consideras; considere; respeita; respeitas; respeite.

  
                        Yan Mateus Da Silva Ribeiro, N° 40, 1° “E”.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Lira XXXII Parte II



Se o vasto mar se encapela,
E na rocha em flor rebenta,
Grossa nau, que não tem leme,
Em vão sustentar-se intenta;
Até que naufraga, e corre
À discrição da tormenta.

Quem não tem uma beleza,
Em que ponha o seu cuidado;
Se o Céu se cobre de nuvens,
E se assopra o vento irado,
Não tem forças que resistam
Ao impulso do seu fado.

Nesta sombria masmorra,
Aonde, Marília, vivo,
Encosto na mão o rosto,
Ah! que imagens tão funestas
Me finge o pesar ativo.

Parece que vejo a honra,
Marília, toda enlutada;
A face de um pai rugosa,
Num mar de pranto banhada;
Os amigos macilentos,
E a família consternada.

Quero voltar aos meus olhos
Para outro diverso lado;
Vejo numa grande praça
Um teatro levantado;
Vejo as cruzes, vejo os potros,
Vejo o alfanje afiado.

Um frio suor me cobre,
Laxam-se os membros, suspiro;
Busco alívio às minhas ânsias,
Não o descubro, deliro.
Já , meu Bem, já me parece
Que nas mãos da morte expiro.

Vem-me então ao pensamento
A tua testa nevada,
Os teus meigos, vivos olhos,
A tua face rosada,
Os teus dentes cristalinos,
A tua boca engraçada.

Qual, Marília, a estrela d'alva,
Que a negra noite afugenta;
Qual o Sol, que a névoa espalha
Apenas a terra aquenta;
Ou qual Íris, que o Céu limpa,
Quando se vê na tormenta:

Assim, Marília, desterro
Triste ilusão, e demência;
Faz de novo o seu ofício
A razão, e a prudência;
E firmo esperanças doces
Sobre a cândida inocência.

Restauro as forças perdidas,
Sobe a viva cor ao rosto,
Gira o sangue pela veia,
E bate o pulso composto:
Vê, Marília, o quanto pode
Contra meus males teu rosto



A lira mostra todo o sofrimento ,dor  e amargura de Dirceu  por estar preso e longe de sua amada , a dura saudade que sente dela . Também demonstra a tristeza de seus amigos e familiares por estar nessa dolorosa situação .  No entanto ,as lembranças que Dirceu tem de Marília o fazem ,recobrar suas forças e resistir a aquela terrível dor .



características do arcadismo :  Como a maioria das liras da segunda parte o autor deixa o bucolismo de lado , e utiliza do racionalismo ou seja: deixa de lado as paixões criativas , e recorre  á emoções genéricas que ao contrário das liras  não genéricas deixa de utilizar emoções, que são puro fruto da imaginação , e inspiração do autor.
         Também utiliza do uso do Inutilia truncat    , evitando os excessos e indo direto ao assunto , com uma linguagem mais simples.   Nessa lira não detectei a exaltação a figuras mitológicas que , são bastante comuns na primeira parte da obra .



Como todas as liras da segunda parte Dirceu está preso e longe de sua amada , fazendo com que a leveza das liras da primeira parte desapareça, caracterizando  no meu ponto de vista um clima gótico ,de escuridão e dor  sofridos pelo autor .


Glossário : Vasto : Que tem grande extensão; muito amplo.
 Encapela:  Levantar, encrespar. 
Rebenta: arrebenta; arrebentas; arrebente; estoira; estoiras; estoire; estoura; estouras; estoure; explode; explodes.
Nau: Antiga embarcação a vela, de alto bordo, com três mastros e numerosas bocas de fogo.
Intenta: pretenda; pretende; pretendes.
Fado: Fadário, destino, sorte.
Funesto: 
Que provoca a morte, a desgraça: acidente funesto.
Nocivo, fatal.
Entulada:  Que está de luto.
Macilento:   Pálido, descorado; magro, descarnado: a doença deixou-lhe um aspecto macilento.
Consternado: Que sofreu consternação; que se encontra triste ou desolado.
Desterro:  Ato ou efeito de desterrar; expulsão da pátria; exílio, banimento; deportação.


Natália  C. Frazão -  30
1º E

  




Parte 2 - Lira VII

Lira VII

Meu prezado Glauceste,

Se fazes o conceito,

Que, bem que réu, abrigo

A cândida virtude no meu peito;

Se julgas, digo, que mereço ainda

Da tua mão socorro,

Ah! vem dar-me agora,

Agora sim que morro.

Não quero, que montado

No Pégaso fogoso,

Venhas com dura lança

Ao monstro infame traspassar raivoso.

Deixa que viva a pérfida calúnia,

E forje o meu tormento:

Com menos, meu Glauceste,

Com menos me contento.

Toma a lira dourada,

E toca um pouco nela:

Levanta a voz celeste

Em parte que te escute a minha Bela;

Enche todo o contorno de alegria;

Não sofras, que o desgosto

Afogue em pranto amargo

O seu divino rosto.

Eu sei, eu sei, Glauceste,

Que um bom cantor havia,

Que os brutos amansava;

Que os troncos, e os penedos atraía.

De outro destro Cantor também afirma

A sábia antiguidade,

Que as muralhas erguera

De uma grande Cidade.

Orfeu as cordas fere;

O som delgado, e terno

Ao Rei Plutão abranda,

E o deixa, que penetre o fundo Averno.

Ah! tu a nenhum cedes, meu Glauceste,

Na lira, e mais no canto;

Podes fazer prodígios,

Obrar ou mais, ou tanto.

Levanta pois as vozes:

Que mais, que mais esperas?

Consola um peito aflito;

Que é menos ainda, que domar as feras.

Com isto me darás no meu tormento

Um doce lenitivo;

Que enquanto a Bela vive,

Também, Glaucestevivo.

E com voz importuna

Me diz que mova o passo;

Que ente no grande Templo, em que se encerra

Quanto o destino manda,

Que ela obre sobre a terra.

Que coisas portentosas nele encontro!

Eu vejo a pobre fundação de Roma;

Vejo-a queimar Cartago;

Vejo que as gentes doma;

E vejo o seu estrago.

Lá floresce o poder do Assírio Povo;

Aqui os Medos crescem,

E os perde um braço novo.

Então me diz a Deusa: "E que pretendes?

"Todas estas medalhas ver agora?

"Ah! não, não sejas louco!

"Espaço de anos fora

"Para isso ainda pouco;

"Deixa estranhos sucessos, vem comigo;

"Verás quanto inda deve

"Acontecer contigo."

Levou-me aonde estava a minha história,

Que toda me explicou com modo, e arte.

"Tirei-te libras de ouro",

Me diz, "e quero dar-te

"Todo aquele tesouro.

"Não suspira por bens um peito nobre?

Severo lhe respondo,

"Vivo afeito a ser pobre."

Aqui me enruga a Deusa irada a testa,

E fica sem falar um breve espaço.

"Alegra, alegra o rosto",

Prossegue, "ali te faço

"Restituir o posto."

Respondo em ar de mofa, e tom sereno:

"Conheço-te, Fortuna,

"Posso morrer pequeno."

"Aqui te dou, me diz, a tua amada."

Então me banho todo de alegria.

"Cuidei, me torna a cega,

"Que essa alma não queria

"Nem esta mesma entrega."

"É esse o bem, respondo, que me move,

"Mas este bem é santo,

"Vem só da mão de Jove."

Queria mais falar; eu insofrido

Desta maneira rompo os seus acentos:

"Basta, Fortuna, basta,

"Estes breves momentos

"Lá noutras coisas gasta;

"Da minha sorte nada mais contemplo."

E, chamando Marília,

Suspiro, e deixo o Templo.

 

 

Nesta lira há algo comum em algumas das liras dessa segunda parte: um diálogo. O poema em si é uma carta, um relato que Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga) faz a seu amigo Glauceste (Cláudio Manuel da Costa). Ele se lamenta da dor que sente, pois está preso e longe de sua amada, o que acontece em toda a segunda parte do livro. Há uma depressão infindável, algo tão profundo que o leitor quase pode se sentir como Dirceu. Durante o diálogo com a Fortuna, ele deixa muito claro que ainda vive, não se rende ao tempo e à morte, porque seu amor por Marília é maior do que qualquer coisa. No decorrer na lira, podemos acompanhar a trilha relatada por Dirceu rumo ao templo onde há o encontro com a deusa. Lá, ele se depara com sua própria história e tem a oportunidade de saber o que mais pode acontecer a ele. Claro, tudo o que aconteceé fruto de sua imaginação, o que, a meu ver, revela que ele estava ficando perturbado enquanto preso. Talvez, fosse apenas a dor da distância sendo forte demais.

 

As características do arcadismo, apesar de não serem as mesmas, ainda são presentes, como a simplicidade da linguagem (inutilia truncat). Há o uso da razão, mas, ao mesmo tempo, uma leve invenção de fatos (trata-se do diálogo). É clara a presença das figuras mitológicas e do modelo clássico da antiguidade Greco-latina, além dos usuais pseudônimos e da objetividade. Porém, não há a alegria e tranquilidade do carpe diem ou pastoralismo. Todas as características presentes são associadas a coisas negativas.

 

Como já dito, na segunda parte do livro, Dirceu está preso e longe de sua amada. A partir deste ponto, não há mais alegria em seus poemas, não há mais a celebração da beleza de sua amada. Há apenas a dor, a distância e a saudade. Graças a isso, a leveza e tranquilidade existentes na primeira parte do livro desaparecem. Agora, tudo está envolto numa atmosfera escura e pesada, pois Dirceu está cansado, triste e longe de sua casa e de sua amada. Quem mais poderia viver assim?

 

Glossário:

Glauceste – Cláudio Manuel da Costa foi o responsável pela introdução do arcadismo no Brasil. Era muito amigo de Tomás Antônio Gonzaga e seu pseudônimo eraGlauceste Satúrnio.

Pégaso – Cavalo alado da mitologia.

Pérfida – Que falta à fé jurada; infiel; traidor.

Penedos – Pedra grande; rochedo; penhasco.

Plutão – Deus da morte e do submundo na mitologia romana, equivalente a Hades na mitologia grega.

Assírio – Relativo à Assíria, antigo reino do Oriente Médio.

Averno – A entrada para o inferno na mitologia, ou simplesmente “inferno” em linguagem poética.

Jove – Júpiter, deus dos deuses na mitologia romana, equivalente a Zeus na mitologia grega.

 

 

Maria Carolina D’avilla – nº 28

1º E