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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Dissertação


  Sentimentos são sensações físicas e emocionais que os seres biológicos são capazes de sentir em diferentes situações cotidianas. É a forma que as pessoas reagem diante de alguns acontecimentos, são impulsos da sensibilidade ao que se imagina como sendo positivo ou negativo.
  Há sentimentos que nos faz bem, como o amor. O mesmo que nos faz vivenciar os melhores momentos trazendo alegria e cumplicidade. Ele é tão belo que não nos permite olhar os defeitos, porque quando se ama alguém, não importa o que está acontecendo do outro lado do mundo. O amor é ter uma consideração maior por alguém, é ajudar, é estar pertinho e querer o bem do próximo. O amor está muito envolvido com a felicidade, pois amar é ser feliz, e ser feliz é poder amar.
  A felicidade é o bem estar das pessoas, quando estamos satisfeitos por algum motivo. Varia bastante de uma pessoa pra outra, pois em uma sociedade sempre há diferenças, assim como a definição para felicidade. Podemos ficar feliz pelo simples fato de acordar e ver o dia, mas muitas pessoas não notam coisas pequenas e reclamam por estarem infelizes, sendo que os mínimos gestos já mudam nosso humor.
    O medo também é um sentimento, mas não agrada as pessoas. É uma sensação de insegurança, perda, riscos, ameaças ou perigo do próprio individuo ou das pessoas que o cercam. O medo faz com que muitos desistam fácil dos seus objetivos, sem mesmo tentar. Mesmo sendo ruim, pode nos ajudar com as dificuldades encontradas no dia a dia, fazendo com que criemos coragem para ir adiante com nossos planos. Encarando o medo teremos sentimentos bons, como alegria e determinação.
  A tristeza é outro sentimento negativo, que se manifesta na vida das pessoas. É passageiro e pode ser saudável, auxiliando o individuo a se reorganizar e superar uma fase difícil. Mas é preocupante quando alguém passa mais tempo se lamento pelos cantos do que se divertindo, pois é sintoma de depressão, e essa é uma doença que necessita de tratamento. Ficar triste por um curto tempo, por exemplo, quando perdemos um ente querido, é normal, mas uma pessoa que não vê nenhum acontecimento positivo em sua vida, é preciso procurar orientação medica e se tratar com urgência.
  Todos os sentimentos mostra que temos uma preocupação, uma vida a ser zelada e que não somos de pedra. Apesar de acontecimentos negativos que nos fazem desistir, sempre haverá um motivo maior que nos fará continuar nossa jornada. Precisamos de carinho, atenção e alegria para uma boa convivência, ultrapassar barreiras que nos impedem de crescer e persistir até conseguir nossos objetivos.  Pois os sentimentos movem as pessoas e mostra quem realmente somos.

Amanda Silva Santana - Nº 03

 1º E

Um amor proibido , uma fantasia romântica impossível .  Talvez seja o que mova uma pessoa a dedicar seu corpo e alma a outro ser .    
De alguma forma a mitologia inspira a perfeição não tão somente física ,   mas podendo ser de alguma forma um encontro perfeito e histórico para algumas histórias de amor  .   Histórias que não são perfeitas de algum modo , mas que inspiram um sentimento verdadeiro ,  sentimento do qual move várias pessoas  a esquecerem um pouco a razão . 
    É um assunto do qual , chega a soar bobo talvez até um pouco clichê, por estar em toda parte : Novelas ,filmes ,  músicas  dedicadas tantas e tantas vezes ao ser amado,   cidades como (Veneza e Paris) .  Mas por qual motivo isso deva ser um assunto tão relevante ? , já que se sabe tão pouco sobre ele? .
     Talvez esse deva ser um veneno mortal para nós , um ponto fraco que nem ao menos se sabe de onde vem .   Um protocolo seguido a risca por muitos , que tão pouco sabem sobre esse assunto . 
Por  algum motivo deva ser um bem universal  adquirido por muitos , no âmbito de seu nascimento .   Não uma coisa que se compra em uma loja de esquina , do qual poucos são privilegiados de conhecer  .
    Uma um assunto tão imcompriensivel e complicado de se  defender ,  uma palavra apenas basta  para ferir o sentimento alheio  ao nosso ,  uma  atitude , um gesto . Um sentimento do qual vivemos e alimentamos , mesmo sem perceber através de gestos toques , palavras que ferem .  Augusto dos  Anjos  escreveu um poema  que simboliza dor e traição ,  e por que não tocar neste assunto  ?  , traições amorosas existem em alguns âmbitos  porque nada deve ser eterno  e como o próprio Augusto dos Anjos escreveu :     Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
 Por que nem mesmo as rochas com o tempo permanecem intactas  , nenhuma chama permanece acesa  durante séculos  , tudo  desmorona com o tempo até  mesmo o mais  forte dos amores.





Natália  C. frazão 
 1  E.


      Hoje em dia raramente encontramos casais realmente apaixonados. O que aconteceu? O que tanto mudou? Percebemos que um “eu te amo”, virou um bom dia, que a separação virou uma coisa normal ,que a palavra amor virou um tipo de moda e que é mais usada pelos jovens . Observamos um mundo indeciso, diante de sentimentos a flor da pele para encontrar o amor verdadeiro. Será isso possível?
      Os adolescentes se acham os donos da verdade, estão sempre em busca do prazer, decididos a fazerem da vida ,uma aventura muito ariscada. Se para os jovens é fácil encontrar o amor, e dizer sempre que estão apaixonados, por que há tantas brigas, tantas meninas grávidas e simplesmente abandonadas? Vocês não acham que amar seria estar presente, compreender e ajudar? Talvez essa seja a resposta para tantas famílias formadas apenas por um pequeno sentimento, que foi confundido pelo amor.
     O jeito de amar hoje em dia se torna algo absurdo, para entendermos isto é só ligarmos a televisão, onde há pessoas que se dizem matar por amor. Para algumas pessoas de outros tempos, o amor era uma coisa rara, dificilmente confundida, talvez bastante questionada, mas era um sentimento realmente verdadeiro ,capaz de mover até o impossível, pois vai além de um simples suspiro onde poucos podem sentir ,nos faz perder a cabeça e viajar em um mundo onde querer ajudar e estar ao lado é mais importante que beijos, onde simples olhares já dizem tudo.
     Não acredito que amor á primeira vista exista, pois para amar é necessário conhecer. Até mesmo um pouco de distância é necessário para percebermos  a grande falta que a pessoa faz. Isso é o que a maioria dos jovens não entendem .É preciso sentir para poder amar, não é apenas uma atração momentânea. E que sentimentos são esses? Nem Gonzaga e nem o melhor poeta do mundo irá conseguir entender esse sentimento, pois existem certas coisas na vida que não fazem sentido, que nos deixa confusos em relação a tudo, já que nem o melhor dicionário do mundo irá definir essa palavras tão importante na vida de muitas pessoas. Observamos que o que mudou não foi o amor ,e sim o jeito das pessoas de lidar com esse sentimento.

Daniella Úrsula de Macêdo Marques

Nº06   1ºE
Amor, o que pode significar está palavra para muitas pessoas? Bom, o amor nada mais é do que um vínculo emocional, é quando você não consegue mais ficar longe daquela pessoal ou até mesmo objeto, quando você fica horas e horas pensando nela(e), existem vários tipos de amores, amor físico, platônico, materno e paterno etc.
Nos poemas e poesias, o que mas está presente são as declarações de amor que o poeta faz para sua amada e inúmeras vezes este amor não é correspondido, ou é um amor proibido, talvez não seja o caso do nosso Tomás Antonio Gonzaga, mas sua história com Maria Dorotéia foi bastante conturbada, quando no dia 23 ela foi deixada por seu noivo pois este fora preso por participação na Inconfidência Mineira, mas antes disso, Maria que havia apenas 16 anos quando Tomás se encantou pela moça e começou então suas belas liras falando sobre seu amor por “Marília”.
Tomás então começou a segunda parte de suas liras na prisão, onde já estava longe de sua Maria, “Nesta cruel masmorra tenebrosa ainda vendo estou teus olhos belos, a testa formosa, os dentes nevados, os negros cabelos”. Analisando varias de suas liras vem à questão, será que Tomás amava mesmo Maria ou apenas sentia atração e desejo por ela ser uma moça jovem e bastante bonita? Porque, Tomás não fez como Maria e se manteve fiel até o fim? No amor verdadeiro não tem distância que separe, pai ou mãe, ou qualquer outra coisa que impeça de se amar a outra pessoa, Tomás teve dois filhos com sua esposa Juliana de Souza e no final de 1809 ele faleceu.
Mas voltando ao assunto do amor, o amor platônico pode-se dizer que é um amor impossível, ou que não é correspondido, ele é feito de fantasias e idealizações. O amor físico por sua vez é o amor entre casais, onde se envolve fortes ligações afetivas e sexuais por vezes e amor materno é nada menos que o amor incondicional o amor que não se acaba com o tempo e o único verdadeiro. Existem pessoas que nunca amaram, pode ser por medo de se machucar ou apenas porque nunca encontrou a pessoa que a fizesse sentir “borboletas no estomago”, mas a verdade é que o amor é apenas para os fortes, para aqueles que não tem medo de errar, de se entregar a uma coisa que não se sabe se irá dar certo ou não.
“Eu cheguei à conclusão que se o amor é verdadeiro, não existe sofrimento” Renato Russo.

                                                                                                         Luciane A. - 25           
                                                                                                                            1E
                                                                                 

domingo, 15 de setembro de 2013

Dissertação:

       A mulher amada que sempre teve a apoteótica capacidade de ter o homem que se encantasse por suas graças em completa submissão. Os homens capazes de escrever e demonstrar tão bem o seu sentimento por sua amada, hoje talvez, tenham desaprendido a usar esse admirável poder. Não, elas não perderam a sua delicadeza, seus encantos e a pele macia. Eles não perderam a capacidade de pensar e escrever belos versos. Será que a culpa é exclusivamente das mulheres? Alguém mais não tem culpa nisso?  Épocas, direitos, sociedade e os próprios homens também tem um papel fundamental nessa infeliz mudança.
     Observa-se que durante o passar dos tempos tudo que esta a nossa volta se modifica. As roupas, a arte, os costumes. Mas o que chama mais atenção e como nós, os seres humanos se relaciona. Se tomarmos nota de como os homens se comportavam na hora da conquista, veremos como tudo mudou drasticamente. Havia um respeito e cuidado com as mulheres, um processo que levava algum tempo. A mulher era extremamente discreta e não cedia a um relacionamento com muita facilidade (que deixava os homens ainda mais interessados). Os homens se apaixonavam tão profundamente que tentavam o tempo todo agradar a sua amada, às vezes se submetendo a escravidão amorosa. Escreviam poemas e musicas dedicada a sua musa inspiradora. Sempre priorizando os sentimentos e o contato.
    As mulheres ganharam espaço e direitos na sociedade importantíssimos, contudo a valorização refletiu no comportamento delas. Hoje quando falamos na arte da conquista sabemos que não é um papel exclusivo do homem. Ambos os sexos tomam partida em um relacionamento, mas o que mais intriga e o fato de que todo aquele romantismo ficou perdido no passado. A delicadeza o respeito (até mesmo por parte das mulheres) desapareceu. Os homens não costumam se declarar para a sua amada, muitos preferem morrer a ter que assumir seu interesse. O amor se tornou uma coisa substituível. Observando bem o comportamento das pessoas temos a noção de que o sexo em um relacionamento é muito mais importante do que qualquer outra coisa. A conquista se tornou tão rápida e sem graça que tudo pode acontecer em uma única noite. O primeiro beijo, o sexo. Nos Tornamos secos em relação aos nossos sentimentos.
Estamos mais livres (homens) para nos aproximarmos das mulheres e conquista-las sem correr o risco de levar um tiro dos pais delas, mas não estamos aproveitando isso de uma maneira correta. Hoje os interesses são outros. A capacidade de ostentar os luxos de uma mulher é mais importante que qualquer outra qualidade em um homem. Uma joia vale mais que um buquê de flores de grande valor simbólico.

      As diferenças são claras, ambos tem pontos positivos e negativos. Podemos sem duvidas mesclar as características e tornar tudo isso uma coisa mais interessante. Não querendo reviver o passando ou se jogar de cabeça em um futuro onde as pessoas não se respeitam ou se tratem como um objeto de satisfação um dos outros. Temos que resgatar o amor, a poesia, o respeito e valorizar as pequenas coisas que perderam o valor. Podemos aproveitar a liberdade que ganhamos nos dias de hoje e o romantismo lá do passado. 


          Yan Mateus Da Silva Ribeiro, N° 40 - 1° Ano "E"

sábado, 14 de setembro de 2013

Dissertação

     Mitologia é algo relativo à época em que se vive. Provavelmente, o apego à mitologia, seja ela politeísta ou não, é um dos poucos traços que acompanha a humanidade desde seu princípio. Porém, se pensarmos um pouco mais além, por que o que chamamos de religião hoje em dia não é mitológico? Mitologia é, necessariamente, algo inexistente e no qual não se deve acreditar?
     Por mais que nos dias de hoje vivamos numa sociedade dividida por classes imaginárias, sabemos que o povo é um só. Alguns diriam que somos o povo de Deus. Outros, porém, ainda cultivam raízes greco-romanas, e esses diriam que somos criaturas dos deuses. Apesar de poucas pessoas adotarem esse modo de pensar, há um questionamento muito grande ao redor do politeísmo. Utilizado demasiadamente na literatura, a maior parte das pessoas tratam essa filosofia de vida como a mais pura fantasia.
     Em tempos passados, o que chamamos hoje de mitologia era considerado religião obrigatória e oficial de nações. Hoje construímos igrejas no lugar de templos dedicados aos deuses e rezamos para um único Deus, o que é considerado normal. Porém, o julgamento é infindo quando referimo-nos a uma pessoa que reza para determinado deus quando quer determinada coisa. Afinal, qual a diferença? Mitologia e religião andam lado a lado. Provavelmente, a única coisa que difere as duas maneiras de pensar seja a quantidade de santidades as quais as pessoas se dedicam. Inúmeras obras literárias dedicam-se ao pensar politeísta. Não se trata de uma ficção inalcançável, mas de uma realidade tão alcançável quanto o Deus que é pregado atualmente.
     Um julgamento precipitado diria que, além de inexistentes, deuses são parte de uma loucura humana. Entretanto, do outro lado dessa disputa imaginária de linhas de raciocínio, pessoas diriam que um único Deus para governar tudo o que há no mundo e fora dele é parte da loucura humana. Loucura ou não, o ser humano tem a necessidade de se apegar a uma ideia de plano superior para se sentir seguro quando de frente para a vida. Essa necessidade desperta a curiosidade de saber como as coisas funcionam. Assim surgiu a religião, a medicina, a ciência e tudo o que conhecemos hoje. Portanto, se todas as mentes surgiram de um mesmo ponto, não há a necessidade de julgar, diferenciar ou mesmo tratar como louco aquele que tem uma crença que não seja a sua.
     Não afirmo a certeza de algo, afinal, ninguém pode saber se deuses ou Deus existem. Contudo, todos viemos de um mesmo lugar, assim como aquilo no que acreditamos. É como dizer que todas as pessoas têm as mesmas raízes e bebem da mesma água, mas a aproveita de maneiras diferentes. Somente assim a sociedade superará o preconceito e referências mito religiosas serão divulgadas livremente como parte do mundo em que vivemos, ao invés de ser pedaços de um grande mito perdido no tempo. 



Maria Carolina D'avilla - nº 28
1º E

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Soneto 2

Num fértil campo de soberbo Douro,
Dormindo sobre a relva, descansava,
Quando vi que a Fortuna me mostrava
Com alegre semblante o seu tesouro.

De uma parte, um montão de prata e ouro
Com pedras de valor o chão curvava;
Aqui um cetro, ali um trono estava,
Pendiam coroas mil de grama e ouro.

– Acabou – diz-me, então – a desventura:
De quantos bens te exponho qual te agrada,
Pois benigna os concedo, vai, procura.

Escolhi, acordei, e não vi nada:
Comigo assentei logo que a ventura
Nunca chega a passar de ser sonhada.


Neste soneto, há uma evidenciação de bens. Dirceu é visitado – novamente – pela Fortuna, que, na segunda parte do livro, o visitou na prisão da Ilha das Cobras. Porém, dessa vez, a Fortuna aparece para mostra-lo os bens que possui e que pode dar a ele. A cena é grandiosamente descrita, mostrando metais e pedras preciosas, além de símbolos de poder, como uma coroa, um cetro e um trono. Porém, assim como a Fortuna, a Desventura também é materializada, sendo uma figura pessimista, que diz que tudo aquilo não é real. Repentinamente, Gonzaga abre os olhos e percebe que na verdade, todas as riquezas que vira, todas as posses, toda a beleza de bens e da natureza não passava de um sonho. No fim do soneto, há uma demonstração de tristeza e pessimismo vindos do próprio Dirceu: “Comigo assentei logo que a ventura / Nunca chega a passar de ser sonhada.”.

Apesar de fazer parte da terceira parte do livro, o contexto histórico dos sonetos é bem diferente do restante do livro. Para compreender do que se trata é preciso mais do que a leitura completa do livro: é preciso conhecer a biografia do autor da obra. Depois de exilado, Tomás Antônio Gonzaga conheceu uma mulher, com quem se casou e teve dois filhos. Não creio que ele tenha sido realmente feliz tamanho era seu amor por Marília no decorrer do livro. Se esse soneto foi escrito em seu exílio, como eu acredito que foi, mostra esse lado triste que ainda tinha em seu coração. A Fortuna mostra riquezas materiais equivalentes a uma família que Gonzaga conseguira construir, mas, de qualquer maneira, ele ainda não se sentia feliz com aquilo. Interpretei cada soneto de uma maneira particular. Alguns me pareciam ter sido escritos antes de o autor conhecer Maria Doroteia, enquanto outros pareciam de passar depois deste período.

Nesse soneto há algumas características do arcadismo bem evidentes. Há o desprezo pelas riquezas materiais, mesmo que quase indetectável. Também há o aparecimento de figuras mitológicas – mesmo que não grega – , a objetividade e a inutilia truncat (cortar o inútil).

Glossário:

Soberbo – Que tem soberba, orgulhoso.
Relva – Terreno coberto de erva = GRAMA.
Semblante – Rosto, fisionomia.
Montão – Porção de coisas sobrepostas.
Cetro – Bastão curto utilizado pelas autoridades, pelos soberbos.
Benigna – Afável, favorável, suave e bom.
Assentei – Determinar, resolver.


Daniella Úrsula de Macêdo Marques

 Nº 06, 1º E

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Soneto 8



Nascer no berço da maior grandeza,
De palmas e de louros rodeado,
Deve-se aos grandes pais, ao tronco honrado,
Que ilustra deste longe a natureza.
Se porém muito mais se adora e preza
O Dom que o nobre sangue traz herdado,
Pela própria virtude sustentado,
Feliz o objeto da presente empresa.
De mil heróis, no Tejo vencedores,
Um ramo nasce, um ramo que a memória
Faz imortal de seus progenitores.
Eu leio em vaticínio a sua história:Une Francisco, a par de seus maiores
Ao herdado esplendor a própria glória.

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Em minha opinião o autor queria mostrar a humildade. No inicio do soneto diz que a ‘donzela’ nasceu e todos estavam em festa, era um dia glorioso e toda essa glória vinha de berço. A ‘donzela’ é uma pessoa da nobreza, mesmo assim tem consideração com o ‘fazer com as próprias mãos’.

A característica do arcadismo contida nesse soneto é Aurea mediocritas (equilíbrio do ouro)
– os representantes árcades pregavam o ideal de uma vida simples, permeada pelo equilíbrio, isto é, sem miséria nem riqueza.

Nessa parte Dirceu fala de traições, desenganos, amores e não coloca Marília como o centro. Achei em site a seguinte frase “Essa parte parece evidenciar uma tentativa (ou não) de superação por parte de Dirceu”. Em minha opinião ele já perdeu as esperanças, é um amor que não será mais correspondido.

Glossário:

TejoJogo em que se atiram moedas a uma faca fincada no chão, dentro de um pequeno quadrado.
ProgenitoresAquele que gera.
VaticínioAto ou efeito de vaticinar; vaticinação.
Predição, prognóstico, profecia.
EsplendorGrande brilho, fulgência, resplandecência.


Amanda Silva Santana - Nº 03

1º E

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Soneto 7

Quantas vezes Lidora me dizia,
Ao terno peito minha mão levando:
 Conjurem-se em meu mal os astros, quando
Achares em meu peito aleivosia!

Então que não chorasse lhe pedia,
Por firme seu amor acreditando.
Ah! que em movendo os olhos, suspirando,
Ao mais acautelado enganaria.

Um ano assim viveu. Oh! céus, agora
Mostrou que era mulher: a natureza,
Só por não se mudar, a fez traidora.

Não, não darei mais cultos à beleza,
Que depois de faltar à fé Lidora,
Nem creio que nas deusas há firmeza.


Eu devo admitir que tive muita dificuldade para interpretar o soneto que escolhi. Na verdade, ignorando o contexto de todo o livro, o soneto faz sentido e por isso ele foi minha escolha. Porém, para interpretá-lo da maneira correta, eu devia considerar o contexto de toda a história presente nas liras e nos outros sonetos. Ainda assim, durante muito tempo, não consegui entender muito bem o que esse soneto dizia. Pesquisei inúmeras vezes algo que pudesse me dar uma pista sobre isso. Encontrei um site dizendo: “A terceira parte do livro [...] é considerada por muitos apócrifa, não só por não ter data correta de edição, mas também por haver outra parte escrita em sonetos, que não era o estilo de Gonzaga. [...] Nesta parte, também se percebe um distanciamento entre Dirceu e Marília. Talvez por ter encontrado um amor em Moçambique, ou pela edição ser realmente apócrifa.” Tendo isso em mente, comecei a notar que, tanto neste, quanto em outros sonetos, a distância entre Dirceu e Marília é mais do que concreta: é como se Marília nunca tivesse existido. Ao fazer o glossário, não consegui encontrar de maneira alguma o significado de “Lidora”. De certa forma, a partir daí, entendi o que se passa aqui. Lidora aparece em outros sonetos com a mesma imagem que é retratada aqui: uma traidora. A conclusão a qual cheguei diz que antes de Marília, Dirceu conheceu outros amores. Amores impuros, cruéis, que o maltrataram, como este de Lidora. Ela o traiu de maneira vil, depois de um ano de relacionamento, magoando-o profundamente. Dirceu, por sua vez, ficou completamente abatido, deixando de depositar fé em seus deuses – ou deusas, como dito no soneto – e no próprio amor.

Anteriormente, considerei todo o contexto histórico para interpretar o soneto. Feito isso, notei que, nos sonetos, há uma falta de “encaixe” com o restante do livro. Nos 13 sonetos que são lidos, há nomes de mulheres, sendo amadas ou odiadas, como é o caso aqui presente. Para mim, essa parte foi a mais difícil de compreender, já que, em minha opinião, parece acontecer num tempo anterior à Maria Doroteia. Gonzaga não era um poeta de sonetos, mas pouco posso concluir sem conhecimento de suas outras obras. Acredito que os sonetos precederam as liras pessoal e poeticamente. Portanto, a conclusão que tiro do contexto dessa parte do livro é que Gonzaga escreveu os sonetos sem pensar em Maria Doroteia, pois ainda não a havia encontrado. Não acredito na teoria do amor encontrado em Moçambique, ainda que ele tenha se casado. Ainda acredito que seu maior e verdadeiro amor foi Maria Doroteia.

As características do arcadismo aqui não são tão presentes. Há, claramente, uma referência às raízes greco-latinas ao falar de “deusas”, e, além disso, encontrei uma pequena referência à natureza, ainda assim, nem como um bucolismo.

Glossário:

Conjurem-se - Convocar para uma conjuração; intentar por meio de conspiração.
Aleivosia - Traição cometida por aquele em quem se tem fé.
Acautelado - Ter cautela.


Maria Carolina D'avilla - nº 28
1º E

sábado, 31 de agosto de 2013

Lira II

Em vão do amado
filho que foge,
Vênus quer hoje
notícias ter.
Sagaz e astuto
ele se esconde
em parte aonde
ninguém o vê.
Dos sinais dados,
bem se conhece
que ele aborrece
a mãe que tem.
Se os seus defeitos
Ela publica,
razão lhe fica
de se ofender.
Foge o menino
e, disfarçado,
vive abrigado
numa cruel.
Com mil carícias
a ímpia o trata;
nem o desata
do peito seu.
Se a semelhança
sempre amor gera,
deve uma fera
outra acolher.
Ah! se o teu nome,
Marília, calo,
que de ti falo
bem podes crer.

Pois bem, está é a terceira parte, percebi que Tomás já não fala tanto sobre a formosura e quão tão doce és Marília, mas ainda sim fala sobre ela e sobre o amor, porém moderadamente. Tomás fala sobre o filho de Vênus que fugiu e no final do poema se refere a Marília.

Nesta lira está presente o uso da mitologia assim como a linguagem simples.
Está parte já não conta bem o que ocorre com Tomás, mas assim como as duas primeiras partes, ele fala muito sobre seu amor por Marília e como sente sua falta.

Glossário:
Sagaz: Que possui sagacidade; perspicaz, arguto: crítica sagaz.
Abrigado: Que se pôde abrigar; que se encontra em abrigo; que está protegido; que não contém ou ocasiona perigos.

Acolher: Receber alguém bem ou mal, hospedar, agasalhar: acolheu-me de braços abertos.

Luciane A. Santos - 25
1E

Parte 3 - Lira V

Eu não sou, minha Nise, pegureiro,
que viva de guardar alheio gado;
nem sou pastor grosseiro,
dos frios gelos e do sol queimado,
que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

A Cresso não igualo no tesouro;
mas deu-me a sorte com que honrado viva.
Não cinjo coroa d'ouro;
mas povos mando, e na testa altiva
verdeja a coroa do sagrado louro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

Maldito seja aquele, que só trata
de contar, escondido, a vil riqueza,
que, cego, se arrebata
em buscar nos avós a vã nobreza,
com que aos mais homens, seus iguais, abata.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

As fortunas, que em torno de mim vejo,
por falsos bens, que enganam, não reputo;
mas antes mais desejo:
não para me voltar soberbo em bruto,
por ver-me grande, quando a mão te beijo.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

Pela ninfa, que jaz vertida em louro,
o grande deus Apolo não delira?
Jove, mudado em touro
e já mudado em velha não suspira?
seguir aos deuses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

Pertendam Anibais honrar a História,
e cinjam com a mão, de sangue cheia,
os louros da vitória;
eu revolvo os teus dons na minha idéia:
só dons que vêm do céu são minha glória.
Graças, ó Nise bela,
graças à minha estrela!

Moralmente, Dirceu apresenta-se como digno de consideração social desde a primeira lira, pois, como vimos, possui “próprio casal”, é independente economicamente. Uma observação não menos importante. É o que ocorre com três liras de Marília de Dirceu, em que o tema é a superioridade do pastor, mantida em qualquer ocasião, seja nos momentos livres e felizes ou nos de agonia na masmorra. Vamos encontrar esta situação nas liras “Eu não sou, minha Nise, pegureiro” (nesta lira). “Eu, Marília, não sou algum vaqueiro” (lira 1, parte I) e “Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro” (lira 15, parte II). Como foi destacado na última análise. Encontram-se também, nesta poesia, alusão a figuras mitológicas.

Essa terceira parte foi escrita no exílio, em Moçambique. É importante frisar que todas as partes do livro foram publicadas quando o romance entre Gonzaga e Dorotéia já havia se encerrado. Ainda não se tem provas concretas da autenticidade dessa terceira parte.

Glossário:
Pegureiro; guardador de gado. Relativo a pastor.
Vil; que degrada o homem. Desprezível.
Reputo; Julgar, ter em conta, considerar.
Desdouro; Aquilo que é desonroso ou que mancha a reputação.
Cinjam/ Cinjo;  Aquilo que é desonroso ou que mancha a reputação. (figurado) Limitar, restringir.
Jove; equivalente ao deus Júpiter (mitologia romana).
Aníbais; [Aníbal] foi um general e estadista cartaginês considerado por muitos como um dos maiores táticos militares da história.

                                       Yan Mateus Da Silva Ribeiro - N° 40  1° E

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Parte3   Lira III

Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho, e a rica, terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.
Não verás derrubar os virgens matos;
Queimar as capoeiras ainda novas;
Servir de adubo à terra a fértil cinza;
Lançar os grãos nas covas.
Não verás enrolar negros pacotes
Das secas folhas do cheiroso fumo;
Nem espremer entre as dentadas rodas
Da doce cana o sumo.
Verás em cima da espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grande livros,
E decidir os pleitos.
Enquanto revolver os meus consultos.
Tu me farás gostosa companhia,
Lendo os fatos da sábia mestra história,
E os cantos da poesia.
Lerás em alta voz a imagem bela,
Eu vendo que lhe dás o justo apreço,
Gostoso tornarei a ler de novo
O cansado processo.
Se encontrares louvada uma beleza,
Marília, não lhe invejes a ventura,
Que tens quem leve à mais remota idade
A tua formosura.

Glossário
Cativos: escravos.
Caudalosos: abundantes em águas.
Minada: escavada.
Esmeril: resíduos de minerais pesados.
Hábil: que executa com agilidade e eficiência.
Granetes: pequenos grãos.
Bateia: gamela de madeira usada para a lavagem ou cascalho que contenha minerais preciosos.
Capoeiras: mato nascido nas áreas  em que se faz a derrubada  de matas virgens.
Pleito: expressão jurídica para designar litígio conflito.
Fastos: registros públicos de fatos ou obras memoráveis.


Nessa lira Gonzaga cita algumas atividades econômicas da região, onde predomina o elogio de uma vida tranquila e equilibrada ao lado de sua pastora ,indicada pela exploração  de verbos no futuro , ou seja o poeta imagina uma vida futura ao lado de sua amada .O poeta afirma que estaria feliz ao lado de seu grande amor e que a beleza de Marília é eterna em sua lira. 

Essa lira está ligada a paisagem física e humana do Brasil da época.


Uma característica do estilo presente no poema é o largo uso de adjetivos que ocorre quase sempre anteposto ao nome. Através disso percebemos uma leve inversão ou anástrofe (figura de sintaxe que consiste na inversão suave, para fins estilísticos), muito frequente na poesia árcade e clássica.

Não se tem registros concretos em relação a terceira parte do livro , mas podemos perceber que Dirceu se encontra distante de sua amada e que mesmo com a distância ainda imagina como seria se tivesse um futuro ao lado de Marília.


Daniella Úrsula de Macêdo Marques


Nº 06      1º E
Parte 3 – Lira IX
Chegou-se o dia mais triste
que o dia da morte feia;
caí do trono, Dircéia,
do trono dos braços teus,
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Ímpio Fado, que não pôde
os doces laços quebrar-me,
por vingança quer levar-me
distante dos olhos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, e vou sem ver-te,
que neste fatal instante
há de ser o teu semblante
mui funesto aos olhos meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
E crês, Dircéia, que devem
ver meus olhos penduradas
tristes lágrimas salgadas
correrem dos olhos teus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
De teus olhos engraçados,
que puderam, piedosos,
de tristes em venturosos
converter os dias meus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Desses teus olhos divinos,
que, terno e sossegados,
enchem de flores os prados
enchem de luzes os céus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Destes teus olhos, enfim,
que domam tigres valentes,
que nem rígidas serpentes
resistem aos tiros seus?
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Da maneira que seriam
em não ver-te criminosos,
enquanto foram ditosos,
agora seriam réus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Parto, enfim, Dircéia bela,
rasgando os ares cinzentos;
virão nas asas dos ventos
buscar-te os suspiros meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Talvez, Dircéia adorada,
que os duros fados me neguem
a glória de que eles cheguem
aos ternos ouvidos teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
Mas se ditosos chegarem,
pois os solto a teu respeito,
dá-lhes abrigo no peito,
junta-os cos suspiros teus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
E quando tornar a ver-te,
ajuntando rosto a rosto,
entre os que dermos de gosto,
restitui-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso
dizer-te, meu bem, adeus!
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O autor repete várias vezes durante a lira que não pode ficar sem Doroteia, sua vida não é a mesma sem sua amada. Ele está prestes a perdê-la por conta da morte que está próxima. Apesar de ter chegado a hora de sua partida, ele não consegue se desfazer do que lhe fez tão bem. Ao longo da lira o personagem descreve com exuberância a sua amada e a gloria como se fosse uma deusa.

Nessa lira eu encontrei apenas uma característica do arcadismo, o carpe diem, que se trata da passagem do tempo como algo que trás a velhice, a fragilidade e a morte.

Não há presságios de que a terceira parte tenha ocorrido. Porém ela representa um futuro inalcançável, pois eles já não se encontram unidos. Apesar de tudo Dirceu não desiste de seu amor e acredita que ficarão juntos.

Glossário:

Ímpio – Que falta aos deveres de piedade.
Fado – Aquilo que tem de acontecer, independentemente da vontade humana.
Semblante – Aparência; aspecto; fisionomia.

Réus – Que tem má índole.


Amanda Silva Santana - Nº 03
1º E

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Parte 3 - Lira VII

Tu, formosa Marília, já fizeste
Com teus olhos ditosas as campinas
Do turvo ribeirão em que nascestes;
Deixa, Marília, agora
As já lavradas setas:
Anda afoita a romper os grossos mares,
Anda encher de alegria estranhas terras;
Ah! por ti suspiram
Os meus saudosos lares.
Não corres como Safo sem ventura,
Em seguimento de um cruel ingrato,
Que não cede aos encantos da ternura;
Segues um fino amante,
Que a perder-te morria.
Quebra os grilhões do sangue, e vem, ó Bela;
Tu já foste no Sul a minha guia,
Ah! deves ser no Norte
Também a minha estrela.
Verás ao Deus Netuno sossegado,
Aplainar c’o tridente as crespas ondas;
Ficar como dormindo o mar salgado;
Verás, verás, d’alheta
Soprar o brando vento;
Mover-se o leme, desrizar-se o linho:
Seguirem os delfins o movimento,
Que leva na carreira
O empavesado pinho.
Verás como o Leão na proa arfando
Converte em branca espuma as negras ondas,
Que atalha, e corta com murmúrio brando;
Verás, verás, Marília,
Da janela dourada,
Que uma comprida estrada representa
A linfa cristalina, que pisada
Pela popa que foge,
Em borbotões rebenta.
Bruto peixe verás de corpo imenso
Tornar ao torto anzol, depois de o terem
Pela rasgada boca ao ar suspenso;
Os pequenos peixinhos
Quais pássaros voarem;
De toninhas verás o mar coalhado,
Ora surgirem, ora mergulharem,
Fingindo ao longe as ondas,
Que forma o vento irado.
Verás que o grande monstro se apresenta,
Um repuxo formando com as águas,
Que ao mar espalha da robusta venta;
Verás, enfim, Marília,
As nuvens levantadas,
Umas de cor azul, ou mais escuras,
Outras de cor-de-rosa, ou prateadas,
Fazerem no horizonte
Mil diversas figuras.
Mal chegares à foz do claro Tejo,
Apenas ele vir o teu semblante,
Dará no leme do baixel um beijo.
Eu lhe direi vaidoso:
"Não trago, não, comigo,
"Nem pedras de valor, nem montes d’ouro;
"Roubei as áureas minas, e consigo
"Trazer para os teus cofres
"Este maior Tesouro."



Esta lira não é nada além de um sonho. Aqui, apesar de não ser perceptível na própria lira, temos um Dirceu distante, triste. Por isso, agora, ele vive e escreve o que imagina. Aqui, é claro o modo como imagina uma vida amorosa perfeita com Marília. A lira se passa num navio, navegando em alto mar para Portugal. Os dois estão na proa, sentindo o vento, vendo golfinhos e pássaros. Estão bem, pois há um mundo perfeito ao redor de ambos: céu azul, nuvens coloridas, sol brilhante, clima agradável, água espirrando no rosto. Depois de chegarem, segundo o que Dirceu imagina, o homem que ver Marília irá se sentir extremamente encantado por sua beleza, e então, Dirceu poderá se vangloriar por ter o amor da mulher mais linda que já foi vista, de beleza mais valiosa que qualquer dinheiro ou joias. 

Nesta terceira parte, é comum encontrar liras que mostrem como Tomás Antônio Gonzaga imaginava que poderia ser sua vida ao lado de Maria Doroteia. Chega a ser confuso, pois, como o livro em alguns momentos parece não seguir uma ordem de acontecimentos, chega-se a pensar que aquilo realmente aconteceu. Porém, aqui, não há um uso do pretérito, como na maioria das liras da segunda parte do livro. Há o uso do tempo futuro, como se Tomás ainda acreditasse que tudo aquilo poderia acontecer de acordo com sua imaginação. Esse contexto abrange praticamente toda a terceira parte do livro.

As características do arcadismo voltam a ser fortes. Não há racionalismo - ao contrário disso, vemos um certo bucolismo e carpe diem vindos da imaginação de Tomás Antônio Gonzaga. Obviamente, há a idealização da mulher amada, assim como de todo um romance que poderiam viver juntos. Há também o locus amoenus (lugar agradável), que, nessa lira, seria o navio em viagem a Portugal. Como em todo o livro, há uso de pseudônimos, a objetividade e certo desdém ao dinheiro, principalmente ao fim da lira. E, como sempre, há a presença de seres mitológico e a tentativa de retomar os modelos clássicos Greco-latinos.

Glossário:

Safo - Livre; desencalhado; gasto, usado.
Grilhões - Corrente forte de metal; cordão grosso de ouro; [figurado] laço; prisão (mais usado no plural).
Netuno - Deus dos mares na mitologia romana. Representado por Poseidon na mitologia grega.
Alheta -  Ângulo que forma a popa do navio com o costado (quando a popa é de painel).
Desrizar - Desfazer tranças ou nós de cabelos ou de alguma coisa que esteja trançada.
Delfins - [Zoologia]  Gênero de mamífero cetáceo, tipo da família dos delfinídeos, que vive aos grupos em todos os mares. = GOLFINHO
Empavesado - Embandeirar (um navio). Defender (o navio) com paveses.
Linfa - [Linguagem poética]  Água.
Borbotões - Bolhas de água, golfada, jorro, lufada.
Baixel - Pequeno navio ou barco.


Maria Carolina D'avilla - nº 28
1º E

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Parte 2 - Lira IV
Já, já me vai, Marília, branquejando
Louro cabelo, que circula a testa;
Este mesmo, que alveja, vai caindo
E pouco já me resta.
As faces vão perdendo as vivas cores,
E vão-se sobre os ossos enrugando,
Vai fugindo a viveza dos meus olhos;
Tudo se vai mudando.
Se quero levantar-me, as costas vergam;
As forças dos meus membros já se gastam,
Vou a dar ela casa uns curtos passos,
Pesam-me os pés, e arrastam.
Se algum dia me vires destas sorte,
Vê que assim me não pôs a mão dos anos:
Os trabalhos, Marília, os sentimentos,
Fazem os mesmos danos.
Mal te vir, me dará em poucos dias
A minha mocidade o doce gosto;
Verás burnir-se a pele, o corpo encher-se,
Voltar a cor ao rosto.
No calmoso Verão as plantas secam;
Na Primavera, que os mortais encanta,
Apenas cai do Céu o fresco orvalho,
Verdeja logo a planta.
A doença deforma a quem padece;
Mas logo que a doença faz seu termo,
Torna, Marília, a ser quem era dantes,
O definhado enfermo.
Supõe-me qual doente, ou mal a planta,
No meio da desgraça, que me altera;
Eu também te suponho qual saúde,
Ou qual a Primavera. Se dão esses teus meigos, vivos olhos
Aos mesmos Astros luz, e vida às flores,
Que efeitos não farão, em quem por eles
Sempre morreu de amores?
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O poeta expressa nas palavras os efeitos de sua velhice, não só fisicamente como também emocionalmente. Durante a lira ele diz que tenta se levantar e se locomover, mas sua coluna torta e seus pés pesados o fazem arrastar-se para sair do lugar. Mas ao lembrar ou ver Marília ele se sente jovem novamente, capaz de qualquer coisa. Com Marília tudo fica com mais vida e cor.

A situação histórica dessa lira não é diferente das demais dessa segunda parte. Gonzaga se encontra preso na Ilha das Cobras em Moçambique, em um momento de fragilidade onde admiti que está ficando velho, e principalmente que sente muito a falta de sua amada Doroteia.

Podemos observar que na segunda parte o bucolismo vai desaparecendo. E nessa lira Tomás usa bastante o carpe diem, a passagem do tempo como algo que traz a velhice, a fragilidade e a morte.

Glossário:
Branquejando – Mostrar-se branco; apresentar a cor branca.
Alveja – Acertar no alvo; Tornar branco.
Burnir – tornar brilhante; polir; lustrar.
Padece – Ser vítima de violências físicas; sentir dores físicas ou morais; estar doente.

Definhado – tornar-se sem vida, sem cor, sem ânimo; perder o vigor, a saúde.

Amanda Silva Santana - Nº 03
1ºE

Parte 2 – Lira 1
Já não cinjo de louro a minha testa;
Nem sonoras canções o Deus me inspira:
Ah! que nem me resta
Uma já quebrada,
Mal sonora Lira!

Mas neste mesmo estado, em que me vejo,
Pede, Marília, Amor que vá cantar-te:
Cumpro o seu desejo;
E ao que resta supra
A paixão, e a arte.

A fumaça, Marília, da candeia,
Que a molhada parede ou suja, ou pinta,
Bem que tosca, e feia,
Agora me pode
Ministrar a tinta.

Aos mais preparos o discurso apronta:
Ele me diz, que faça do pé de uma
Má laranja ponta,
E dele me sirva
Em lugar de pluma.

Perder as úteis horas não, não devo;
Verás, Marília, uma idéia nova:
Sim, eu já te escrevo,
Do que esta alma dita
Quando amor aprova.

Quem vive no regaço da ventura
Nada obra em te adorar, que assombro faça:
Mostra mais ternura
Quem te ensina, e morre
Nas mãos da desgraça.

Nesta cruel masmorra tenebrosa
Ainda vendo estou teus olhos belos,
A testa formosa,
Os dentes nevados,
Os negros cabelos.

Vejo, Marília, sim, e vejo ainda
A chusma dos Cupidos, que pendentes
Dessa boca linda,
Nos ares espalham
Suspiros ardentes.

Se alguém me perguntar onde eu te vejo,
Responderei: No peito, que uns Amores
De casto desejo
Aqui te pintaram,
E são bons Pintores.

Mal meus olhos te riam, ah! nessa hora
Teu retrato fizeram, e tão forte,
Que entendo, que agora
Só pode apagá-lo
O pulso da Morte.

Isto escrevia, quando, ó Céus, que vejo!
Descubro a ler-me os versos o Deus louro:
Ah! dá-lhes um beijo,
E diz-me que valem
Mais que letras de ouro.


Glossário:

Cinjo: Fazer parte de algo; permanecer em seu interior.

Supra: Que se encontra em uma posição superior.

Candeia: Lâmpada formada de um recipiente de barro ou de folha.

Ministrar: Fornecer, administrar.


 Nessa lira podemos perceber a angústia, a tristeza e a grande solidão do poeta. Gonzaga diz não ser mais o mesmo, e que se encontra em um momento perdido e sem inspiração. Mesmo estando em uma masmorra tenebrosa, onde não tem o controle sobre nada, o poeta diz continuar a escrever sobre sua amada. Na lira ele fala que já não consegue controlar a saudade que sente e que mesmo assim a imagem de Marília continua forte em sua mente e que nada além da morte poderia tirá-la.


Essa lira foi escrita enquanto Gonzaga estava preso na ilha das Cobras em Moçambique, é nítida a solidão e a saudade de Marília. Há o emprego do verbo no passado: o poeta vive de lembranças e recordações passadas.

O poeta vai deixando de lado o bucolismo. A solidão, injustiça, saudade e a presença constante da morte, rompem com o que era considerado clássico. A declaração e adoração por Marília continuam nesta parte influenciada por características pré-românticas.

A tristeza e a chateação são uma das principais características pré-românticas, já que Gonzaga sofre por estar longe de sua amada e não pode se relacionar com ela por estar preso.


Daniella Úrsula de Macêdo Marques

Nº 06        1º E

Parte 2 - Lira XV

Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro,
Fui honrado Pastor da tua aldeia;
Vestia finas lãs, e tinha sempre

A minha choça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal, e o manso gado,
Nem tenho, a que me encoste, um só cajado.

Para ter que te dar, é que eu queria
De mor rebanho ainda ser o dono;
Prezava o teu semblante, os teus cabelos
Ainda muito mais que um grande Trono.
Agora que te oferte já não vejo
Além de um puro amor, de um são desejo.

Se o rio levantado me causava,
Levando a sementeira, prejuízo,
Eu alegre ficava apenas via
Na tua breve boca um ar de riso.
Tudo agora perdi; nem tenho o gosto
De ver-te aos menos compassivo o rosto.

Propunha-me dormir no teu regaço
As quentes horas da comprida sesta,
Escrever teus louvores nos olmeiros,
Toucar-te de papoulas na floresta.
Julgou o justo Céu, que não convinha
Que a tanto grau subisse a glória minha.

Ah! minha Bela, se a Fortuna volta,
Se o bem, que já perdi, alcanço, e provo;
Por essas brancas mãos, por essas faces
Te juro renascer um homem novo;
Romper a nuvem, que os meus olhos cerra,
Amar no Céu a Jove, e a ti na terra.

Fiadas comprarei as ovelhinhas,
Que pagarei dos poucos do meu ganho;
E dentro em pouco tempo nos veremos
Senhores outra vez de um bom rebanho.
Para o contágio lhe não dar, sobeja
Que as afague Marília, ou só que as veja.

Senão tivermos lãs, e peles finas,
Podem mui bem cobrir as carnes nossas
As peles dos cordeiros mal curtidas,
E os panos feitos com as lãs mais grossas.
Mas ao menos será o teu vestido
Por mãos de amor, por minhas mão cosido.

Nós iremos pescar na quente sesta
Com canas, e com cestos os peixinhos:
Nós iremos caçar nas manhãs frias
Com a vara envisgada os passarinhos.
Para nos divertir faremos quanto
Reputa o varão sábio, honesto e santo.

Nas noites de serão nos sentaremos
C'os filhos, se os tivermos, à fogueira;
Entre as falsas histórias, que contares,
Lhes contarás a minha verdadeira.
Pasmados te ouvirão; eu entretanto
Ainda o rosto banharei de pranto.

Quando passarmos juntos pela rua,
Nos mostrarão c'o dedo os mais Pastores;
Dizendo uns para os outros: "Olha os nosso
"Exemplos da desgraça, e são amores".
Contentes viveremos desta sorte,
Até que chegue a um dos dois a morte. 


Na lira XV observamos uma característica constante dessa segunda parte de Marília de Dirceu: o contraste do passado feliz e a tristeza do presente. A primeira estrofe da lira, o poeta deixa muito claro a sua situação atual. Dirceu não possui mais propriedades, na verdade não possui nenhum bem em que ele possa se apoiar, ele próprio descreve “Não tenho, a que me encoste um só cajado.”. Noutra ele revela que prezava muito mais Marília do que suas fortunas e a única coisa que ele tem a oferecê-la (agora) é o seu puro amor (mesmo lamentando muito por isso), isso causa uma preocupação por parte de Dirceu, pois se antes as diferenças financeiras entre as famílias de Dirceu e Marília falavam mais alto e faziam desse amor proibido agora então seria quase impossível. Percebe-se no resto do poema um planejamento de uma vida feliz, no campo e com possíveis filhos ao lado de Marília. Mesmo na cadeia, Dirceu ainda acreditava numa possível absolvição, num recomeço da sua vida, de preferência junto á amada. A única coisa que ficou para Dirceu foi as lembranças de sua “estrela”. Pior que perder todos os seus bens é perder o grande amor de sua vida.

As características do arcadismo nessa lira são bem diferentes da primeira parte, o autor esta expressando toda a sua dor e agonia de estar longe de sua amada. O bucolismo está presente na maior parte do poema, mesmo que toda a característica campestre seja fruto de sua imaginação. Na lira temos uma situação que se repete na primeira parte “Eu, Marília, não sou algum vaqueiro” (lira I, parte I) e “Eu, Marília, não fui algum vaqueiro” (lira XV, parte II).  O poeta apresenta verbos no pretérito (“Fui honrado pastor...”) isso indica sua distancia e a percepção da impossibilidade de realização de seus desejos. Interessante notar-se que, nestes versos, alguns elementos do estilo de Gonzaga aparecem bem definidos: a imitação de modelos; a reflexão de Dirceu sobre si mesmo, reforçando a ideia de que Gonzaga não quer ser tomado, por “qualquer vaqueiro”.

Na segunda parte, por refletir os sentimentos causados pela prisão, deixa claro sua amargura e desilusão. Os poemas exprimem a solidão de Dirceu, a saudade de Marília. O entusiasmo e felicidade não aparecem, a imaginação e a principal “ferramenta” usada para escrever os poemas.

Glossário:

Choça – Cabana de ramos de árvores ou colmo, própria das florestas tropicais.
Cajado – Bastão com a parte superior arqueada, para uso dos pastores.
Compassivo – Que possui ou demonstra compaixão; que compartilha dos sofrimentos alheios: indivíduo compassivo.
Regaço – Parte do corpo que vai da cintura aos joelhos, na posição sentada.
Concavidade formada pela saia ou avental que se suspende para nela colocar alguma coisa.
Colo, seio.
Sesta – Repouso que se costuma fazer, depois do almoço, nos países quentes: fazer a sesta.
Jove – Júpiter é o deus romano do dia, comumente identificado com o deus grego Zeus.
 Sobeja – remanesce; remanesces; remanesça; resta; restas; reste; sobra; sobras; sobre.
Reputa – acha; achas; ache; aprecia; aprecias; aprecie; considera; consideras; considere; respeita; respeitas; respeite.

  
                        Yan Mateus Da Silva Ribeiro, N° 40, 1° “E”.